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domingo, 17 de junho de 2007





Forte como um destino,

Calmo como um pastor,

A sarça ardente é quando o sol, a pino,

O inunda de seiva e de calor.




Barbas, rugas e veias

De gigante.

Mas, sobretudo, braços!

Longos e negros desmedidos traços,

Gestos solenes duma fé constante…




“A um carvalho” de Miguel Torga

quinta-feira, 24 de maio de 2007



Perfil

Não. Não tenho limites.
Quero de tudo
Tudo.
O ramo que sacudo
Fica varejado.
Já nascido em pecado,
Todos os meus pecados são mortais.
Todos tão naturais
À minha condição,
Que quando, por excepção,
Os não pratico
É que me mortifico.
Alma perdida
Antes de se perder,
Sou uma fome incontida
De viver.
E o que redime a vida
É ela não caber
Em nenhuma medida.

Miguel Torga, Poesia Completa